domingo, 20 de outubro de 2013

Um ponto final para começar

O mundo inexorável rebola sobre si, das esquinas, aí de mim que vejo esquinas num globo achatado, mas inda assim persisto quando: esquinas, reitero quando: das esquinas despencam pedaços anónimos de negrumes da alma, quem sabe, saberei?, paridos de uma corja de roedores sem tacto, mas se um dia virei costas, inexorável seria o dia em que daria com os olhos de novo nestes predicados sem fim, tão certo como o mundo que rebola esvaindo-se em podridão sem tecto à vista, olho-me num espelho e as diferenças esvaem-se no meio do idêntico, talvez subsista agora de mim para quem fui, do eu presente para o eu de ontem, do outro lado de um vidro cada vez menos lúcido um mancinismo vivo em mim, quando antes a mão direita me comandava a saudação.


Cumprimentos,
NR


*Sem acordo


3 comentários:

Bela disse...

Nelson,

bom regresso! Também já tinha saudades de te ler. :)
Fiquei atónita, afinal também consegues dizer muito, com um texto tão pequenino. :D
Gostei da maneira sentida, quase dolorosa, como despes/vestes o teu verdadeiro "eu" para lá do espelho. Difícil tarefa!

Um beijinho :)

Eli disse...

Já li este texto inúmeras vezes e ainda não percebi por que razão ainda não o comentei... É algo que se desdobra e tem sempre mais cada vez que se lê. Ou então é de mim que com o tempo sou mais e mais assim consigo ler em ti.

Eli disse...

O que é feito de ti?