sexta-feira, 28 de junho de 2013

Sua cousa bubónica



(…)

            (a batuta continuava, os berros, os ecos surgiam daqui e dali, numa postura de merufo mantinha-me distante já que nada disso me perturbava neste,)
            naquele,
            (momento, as memórias são a minha única preocupação, pois na loucura do momento actual, e na senilidade da realidade elas chegam e partem a um ritmo displicente, umas frescas, outras longínquas, tento agarrá-las: uma duas, todas, mas defendem-se, funcionam como um cardume coordenado que me entende como um predador, evadem-se com movimentos tão velozes que não consigo inferir, somente vislumbro sombras da sua beleza quase hipnótica, esta simbiose entre o anestesiar dos sentidos e a senilidade, entre o passado e o presente, entre o que é e não é leva-me a um outro porto, a um outro momento, que sem uma hora, sem uma data, não deixa de ser perto do dia em que me conheci como um ser passível de ser algo mais que um autómato,)
            - nasceste do amor que há entre deus e o diabo,
            disse-me numa incerta era a minha avó, numa manhã anónima, recordo embalado pela voz e pelo escorregar do malte pela minha sequiosa garganta, numa manhã mui fria, mui distante, num gélido como nunca antes fora sentido inverno, assim nessa manhã me disse,
            - nasceste porque tinhas que nascer, era suposto nasceres, não porque eras preciso, querido ou desejado, aconteceu, tal e qual o processo duma vaca que a leva a mugir, tu nasceste,

(…)




*Sem acordo




Cumprimentos,
NR
           

6 comentários:

Anónimo disse...

Nelson,

todos nós temos esses momentos de lucidez insana... revi-me em algumas partes da tua "short-story", principalmente quando falas do dia em que te tornaste humano e deixaste de ser máquina...
Vou retirar-me com uma vénia ao "pestinha"... :P

Um beijinho :)

Nelson Rocha disse...

Bela,

benfazejo priberam,

(risos),


beijo,
NR

Anónimo disse...

Nelson,

já fui ao Priberam ver o bendito "benfazejo", mas continuo sem entender... ;O)
Será culpa minha? :P

Um beijinho :)

Nelson Rocha disse...

Bela,

imagino que não, embora ele venha sempre por bem dar uma mão quando o vocabulário parece minguado,

:)

beijo,
NR

Eli disse...

NR, confesso que sou eu quem pisa o chão enlameado... Não como terra, nem cal para tal não me faça disparar a carta da solidão.
Embrenhei-me no texto e as memórias são bailarinas que dançam nos bailes recônditos, quiçá escondidos, mas não recatados.
:)
ER

Nelson Rocha disse...

Eli,

as minhas atrevem-se, são atrevidas as bandidas, em demasia penso agora que matuto no assunto,


beijo,
NR