terça-feira, 25 de junho de 2013

Gula



            O dia passou, ele inda e cada vez mais senhor de si, confiante em suas habilidades ditadas em letra antiga de plebiscitos entre bípedes, senhores também eles que o antecederam, incauto, alguns sugeriam que era coragem, eu dito-me por uma fé apartada da congénere acatada pelo rebanho ordinário, e, digo que tal mania, tal crença em tais habilidades dignas do apogeu incaico me soa mais a estúrdio, quantas vezes não quebraste a linha, deixas-te o meu flanco exposto, minha carne aberta para a lança de cabo macio rasgar sem oposição, quantas vezes não nos deixas-te com um buraco para cerzir enquanto tu só esbaforido no meio de mil adversários te pintavas de vermelho, no caos sorrias, bebias teus opoentes que a teus pés caíam como folhas ao vento, mulheres sonegavam suas vestes a ti, somente a ti mostravam os seios, túnicas recém enxutas, na manhã dançavam ao vento no quaradouro, agora rasgadas suas costuras à mão produzidas sob a luz pálida de luminárias que ardiam entre gorduras de tetrápodes, a ti senhor de si a glória, a nós meros pares em nome a linha, o cobrir, o proteger o irmão, o erguer o escudo de carvalho bem alto e assim proteger o elmo do irmão na primeira linha, tu que sorris, tu que ris de luxúria entre danças, eu daqui, nós daqui também munidos, envolvidos na mesma túnica escarlate te seguimos com um olho, o único que podemos dispensar, enquanto a enxurrada que pelo buraco que deixaste é a custo, um preço de sangue, de carne é a custo contida, cada vez enquanto decepas membros, cortas gargantas, arrancas orelhas, danças encantado, possuído pela essência da lâmina, sem escudo, de duas espadas de aço temperado, uma em cada mão, cada vez mais para nós insurges-te como figadal sem honra, a tua demanda pela glória que pintada de vermelho do sangue que jorra dos teu irmãos a nós nos leva a virar-te as costas, e, no fim, mesmo que com as habilidades de Aquiles te tenham temperado os músculos os deuses, a verdade, é que só, como uma rocha, também tu cederás à força dos números, também tu cravejado de seta, lança, escada e machada tombarás a aspirar o ar que resiste em inundar-te os pulmões já levados por uma maré cheia de fluídos que atravessam veias e artérias para assim te levarem para o submundo onde sem moeda te encontrarás a um passo da barca.
            





*Sem acordo.


Cumprimentos,
NR

2 comentários:

Anónimo disse...

Nelson,

bela descrição! Todos nós empreendemos guerras diariamente e só a força de Aquiles nos faz vencer a vida e a morte...
Hoje não há transcendência. ;O)

Um beijinho :)

Nelson Rocha disse...

Deixa-a estar sossegada!!,



beijo,
NR