terça-feira, 28 de maio de 2013

Um azul




            Vejo-o, executo nele uma cianometria, conto os pontos, reformulo a coerência do cenário, para em cada canto formar desenhos de algodão, encontro o contraste quando a brisa nos seus braços eleva folhas de um outuno que tarda, uma emoção, só uma, pura, singela, quase transparente de tão límpida, sílfide diria se possuísse um pouco mais de tino, mas penso enquanto executo nele uma cianometria, Quão vasto és, dali a ali um eterno espaço, perdoem-me, suplico-vos que me perdoem a liberdade quando emprego o eterno com o espaço, mas faltam-me atributos, ou, se porventura os tenho em mim empalidecem enquanto o céu azul se estende até onde o olhar estica, a folha que dança de mãos dadas com o algodão, que benfazejo lusco-fusco, que benfazeja decisão por mim tomada quando disse a mim mesmo,
            - vamos agora executar nele uma cianometria, sempre desejei conhecer o que pende debaixo das suas saias cor de bebé recém nado.



*Sem Acordo


Cumprimentos,
NR

4 comentários:

Bela disse...

O céu e a sua insufismável cor azul... o que alberga para lá de si é um imenso desconhecido, onde só os que sonham conseguem aceder...
Que tenhas sempre sonhos azuis destes... adoráveis!

Um beijinho :)

Nelson Rocha disse...

Agradeço,

mas no limiar dos sonhos talvez, mais perto, sempre, dos pesadelos,

beijo,
NR

Eli disse...

Só sei que nunca conseguiria escrever como tu. Perco-me e encontro-me, embora nem sempre coompreenda, como já confessei no passado, se estiveres lembrado.

Nelson Rocha disse...

Estou sim, como nem eu sempre me compreendo, mas o que não um dia, um amanha talvez, como agora o de ontem parece mui mais claro,

obrigado Eli pelas palavras,

beijo,
NR