segunda-feira, 22 de abril de 2013

Em voz baixa



           Sinto algo que cava pela minha pele, que se agarra com pinças e lentamente arrasta uma barriga viscosa pela encosta acima, ruma lentamente, mas é inegável que ruma aos meus ouvidos, deixa-me um trilho que não vejo, mas sinto, uma pasta como saliva coalhada, arrasta-se para se chegar aos meus ouvidos, para me segredar palavras que grão a grão me erguem o ego com esperança, enche-me o ego como um balão, enquanto caminho pela rua abaixo segrego ego pelos meus poros, enquanto Ela se ri, eu não rio, nem choro, acredito, foi-me dada a esperança por um bicho que não está catalogado, e, eu sem saber que a esperança não nasceu em mim, mas sim num bicho de três olhos que subiu pelas minhas costas à custa de pinças fortes e de uma pasta viscosa que nascia do seu tronco minúsculo, e, Ela ri-se, pois ao contrário de mim sabe que a esperança é falsa, a esperança é ténue, dilui-se nas cores do mundo para desaparecer entre os contrastes, e, no fim do dia nada me resta do que A olhar e aceder enquanto me dispo ao Seu,
- estou aqui pequenino.




*Sem acordo



Cumprimentos,
NR

4 comentários:

Anónimo disse...

Boa noite Nelson,

o que mais aprecio na tua escrita é a subjectividade que empregas em cada frase e vocábulo que constróis.
Confesso que por vezes até eu me sinto um ser "pequenino" ao tentar perceber-te... :D
O texto está simplesmente fantástico, mas vou ter de te aconselhar: "toma um danoninho, que isso passa." :)

P.S. - Desculpa a ousadia da brincadeira, mas não resisti!

Um beijinho :)

Nelson Rocha disse...

Boa noite Bela,

obrigado e vou tentar o tal danoninho,

(risos)


brinca à vontade,

um beijo,
NR

Nilson Barcelli disse...

Há coisas segredadas que nos enchem o ego.
Excelente, como sempre.
Abraço.

Nelson Rocha disse...

Caro Nilson,
boa tarde,

lamento não ter mais nada p'ra te oferecer do que um obrigado, este não segredado,

um abraço,
NR