segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ainda sigo uma penugem



            a qualidade que era vítima da ganância de outros colegas não daqui, mas de um cardápio variado de outros daquis, locais com nomes dados, encontrados somando ditongos, mas o cerne fulcral não deixa de ser a narina, ou as narinas naqueles mais abnegados, que levantavam as sobrancelhas de colegas e gentios, que ora semeavam admiração, ora colhiam inveja, narinas que premiavam suas excelências: os agentes da alfandega, os patronos dos portões de acesso e saída de cousas a esta mui nossa, de tão nossa quase é pouca para todos, nação e por assim dizer sem o buscarem, sendo esta a verdadeira glória alcançável somente provada por aqueles que não a procuram, nem sabem que existe: tornaram-se os agentes da alfândega cada vez mais numa espécie de capacetes azuis desta tão nossa terra, escalaram hierarquias que não sabiam que iam escalando, daí escalaram sem a segurança das cordas e dos coletes que também fazem falta no ar, estes agentes tornaram-se tão,
            - ou mais, - poucos, mas não tão poucos para serem nenhuns se atreviam a insinuar, importantes que o primeiro-ministro, quanto o presidente da republica, quanto o parlamento, tão,
            - ou mais, - que todos esses previamente enumerados juntos, pois estes,
            (perdi-me),
            penso Os da alfandega com um gesto, uma assinatura, uma mera suspeita coxa de fundamentos podem parar esta tão pouco nossa economia (de tão parca) deste (este sim mui nosso) pais, nos outros países não sei como funcionam as alfandegas, nunca lá fui levantar penugens importadas ou outra qualquer cousa tirada do alguidar imaginário de um acto que se vem na sua própria ausência de formato físico tangível, mas aqui, sendo aqui ainda esta alfandega em Leixões, assim era,
            (- mas que tem uma narina de cavalo tão importante para os bípedes que trabalham na alfandega?
            - ai agora intervéns?, agora perguntas-me cousas?,)
            tem-na, tem-na em larga medida, impetuoso atrevo-me a não o dizer só a ti daí a ausência do malandro do parênteses, notaram?,
            - tem-na em medida sem medida, tem-na porque as narinas de cavalo largas e opacas sorvem cheiros de cousas que indo, ou vindo, mais vindo que indo, não em quantidade, mas sim em importância, portanto que vindo  acima de tudo, cousas rotuladas como geles de banho para bebés entre os nenhuns e os seis meses, isto é geles de banho para cousa pouca mais que um feto metamorfosearam-se perante a vigilância da narina do agente afinal num qualquer opiáceo, ou um seu qualquer derivado, com suas narinas os mui condecorados agentes, medalhas tais que já muitos desenvolveram uma corcunda digna de Notre Dame, com suas narinas negras como um poço,
            penso Poço onde atiro um facho que cai e cai e parece nunca mais parar de cair, quando desespero visto que o relógio em forma de pato na estante fixada com rebites falsos inexoravelmente não pára de correr, insensível ao meu desejo que pare de cair, para eu assim ser iluminado e consolidar o quão fundas são estas narinas, quando começo a achar que está quase e penso quase, quase, quase lá, o facho cede e apaga e ainda a pensar penso que em verdade pensei em nada, já que o fim do poço, que o fim das narinas à cavalo nem vê-lo se lançasse mil fachos cerzidos com peúgas envoltas em gorduras animais,
            - eles cheiram as penugens e outras cousas que dizem que o são, para no final serem outras, ressalvo que as penugens são penugens e nada mais que penugens,
            daí a mui elevada consideração, o mui elevado ciúme que seus colegas de outras alfandegas viam estes desta,
            (- estás a estremalhar,
            - imagino que sim,)
            mas o que me deixa carrancudo e com pensares pesados e frouxos, incapazes de me munirem de claridade para o dizer, quanto mais para o escrever e levando-me inexoravelmente a desaguar no já batido, e, rebatido, batido e rebatido com a força do martelo na bigorna,
            - vamos, - acrescentando, - vamos lá,
            não era pelo ir a Leixões à alfandega pegar em penugens que confesso agora são cousa que não gosto de mexer, era porque depois de Leixões, depois da alfandega já com as penugens bem coladas, penso Parece uma ovelha que fugiu a meio da tosquia, um lanho aqui, outro ali, um relevo no mínimo com carácter, o meu,
            -vamos, vamos lá, - nasce, como contava, da necessidade de, - vamos, vamos lá,  - a mais uma dúzia de locais diferentes e colocados, para mui grande gládio de suas transcendências, mesmo o teu minha, em diferentes meridianos
            ( - gládio meu?,)
            - locais com gentes e eu…,
            (odeio gentes,
            - sabias?,
            - claro que sim,)
            gentes têm cheiros azedos a cousas que sorvem, suores que escorrem demorados mas sem penugens, uma grande parte livre ainda de coladas penugens em caquéctica, decrepita forma aparentemente aleatória, penso Não é só por isso, são suores que se urinam entre pregas de pele de diferentes tezes, estas gentes, quando digo estas, digo todas as gentes que passeiam por sítios onde eu com o meu,
            - vamos, vamos lá,
            acato em ir, gentes que existem somente para produzirem de mim um uivar oblíquo que nem isso sai direito para deleite orgástico de fiandeiras que em palácios o bordaram séculos antes em naperons, e, agora assistem entre o zum zum aparentemente eterno de objectos fálicos que vibram,
            ( - e a mim?, ainda me odeias?.)



(...)


*Sem acordo.


Cumprimentos,
NR

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

As alfândegas ainda têm os seus mistérios...
Mais um magnífico texto. Gostei muito, mesmo quando te perdeste... eheheh...
Um abraço.

Nelson Rocha disse...

Perder-me é o melhor do processo,

um obrigado tanto pelo elogio como pela visita,

um abraço