terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tu falas, eu escuto




            Orgulho-me da indecência que corre nas minhas veias, ergo-a como um facho, mil perdões te atiro Régio por tuas palavras belas e eloquentes usar como minhas sem te visitar, sem te pagar o chá, sem te encher o cachimbo de ópios importados das mais belas e imponentes papoilas, suplico-te de olhos lassos o teu perdão, mas em verdade atrevo-me uma vez mais a berrá-lo, aquilo que vos chega aí ao fundo, além, a seguir aquela porta como um mero murmúrio, atrevo-me pois nada temo, quando confrontado com a loucura que me corre nas veias como um boi inchado de tesões do cio, como alguém que se atira de face sorridente na esteira de um barco perdido no mar de Bering, dir-vos-ei que noutros tempos não temi as consequências, noutros tempos acharia meu orgulho destituído de significado quando na verdade não existe glória no que vós sentados em fardos de palha progressivamente mais curtos, enquanto a vaca os come, também ela comida pelo boi no cio de pêndulo inchado assim como aquele canhão progressivamente cheio de fuligem que incessante espalha fogo entre as linhas dos casacas vermelhas, assim o que achais do meu orgulho é tão inócuo como olhar vazio do cego que prega em Santa Catarina, respiro, tenho que respirar, quantas vezes isto não ocorre?, agora pergunto-vos, suplico-vos uma resposta, até mesmo a ti vento que só me trazes mórbidas notícias do outro lado do mundo, mesmo a ti corvo da tormenta de olhos cinzentos, mesmo a ti minha doce Transcendência, concedam-me uma resposta e conquistam meu amor eterno, por uma mera explicação por mais aborrecida e linear podem ganhar-me como a velhota que ganha na raspadinha que dia sim, dia não compra na tasca do Jaquim, sim Jaquim, mas alguém por favor me diga como evitar o deambular eterno de uma menta que não encarquilha num único tema, como evitar o viajar constante de um ponto ao outro, como não cair na tentação do vórtice que surge e me suga e mistura mundos físicos com metafísicos, mitologias nórdicas com gregas, línguas de diferentes lugares e tempos, línguas até de locais que não existem, incoerentes verdades que não contesto pois sua perseguição me impele num rumo que satisfaz uma qualquer demanda que criei para mim, digam-me como evitar uma mente de se canibalizar, de se satisfazer na própria massa cinzenta em delícias enquanto brada para um qualquer lado, para um qualquer ouvinte, para um qualquer eco que queira ser parido para este agora,
            - miolos são do melhor.


*Sem acordo.

Cumprimentos,
NR

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