quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Quando...,

 

Quando me leio nem sempre sorrio, no vislumbre que aparto do grupo somente vejo o hediondo e o miserável,
quando me leio nem sempre sorrio, nos farrapos que reúno de papiros abandonados, nos escombros de bibliotecas de um outro tempo, somente leio resquícios de horror e de dor,
quando me leio nem sempre sorrio, dos ecos que escuto componho músicas para baladas poéticas em línguas esquecidas, não as entendo, mas meu corpo incha de emoções obscuras e despidas de nome, emoções dolorosas, meus olhos raiados de vermelho, inundados de água de um mar morto,
quando me leio nem sempre me encontro, toco à campainha enquanto a chuva se acumula no casaco, aguardo de cinza húmida na ponta do cigarro, de brasa cada vez mais fraca, como um farol engolido pelo nevoeiro, como um sinal da civilização que se apaga, não me encontro mesmo quando a noite cai, tão escura, e eu sem facho que me salve,
(daqui, desta janela, vejo-me, via-me até mais não notar que a sombra, viro-me, porque nada mais discirno, viro-me pois daqui nada me importa quem está a chuva, parto sem sombra, que arre: antes só que mal acompanhado, reza mui prosaicamente o santificado cliché consuetudinário.)



NR


*Sem acordo


Sem comentários: