quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ânsia de anciã



            A lareira crepita e a anciã espreita entre os pedaços de lenha que arruma aos seus pés, espreita não para me ver, espreita para me ouvir, com a idade a pesar de forma tão clara estranhos acontecimentos ocorrem com a vivacidade imaginativa de um prodígio na pujança da juventude, neste caso, no caso desta anciã (permito-me), ouve com os olhos e vê com as orelhas o que depois de ultrapassada a primária perplexidade perante tão complexo conceito, a verdade é que não é assim tão complicado, somente o movimento muda num ou outro reminiscente pormenor de pouca monta que a anciã aprendeu a corrigir com os tempos, o gato mia empina a orelha para o para ver, o cão ladra empina a orelha noutra direcção e assim vai vendo o mundo de panelas fumegantes que compõem sua metafísica,
            espreita por vício, espreita porque tudo merece ser espreitado: ergue-se na cama quente às 3 da manhã pois a caleira produz um barulho nada natural, porque curiosa não entende como se forma,
            eu não, eu não escuto, eu durmo,
            - então como sabes que se levantou?.




*sem acordo


Cumprimentos,
NR

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