terça-feira, 9 de outubro de 2012

Aquela garota

 Aquela garota desapareceu, ali onde  o firmamento encontra o que me parecem ser terrenos de sal, aí onde os dois dão mãos e partem para onde quer que esse tipo de gentes vai de férias, por ali, vi-lhe as costas, desenhei-lhe os ombros, mas a pergunta perdura porque ela partiu?, aparentemente partiu para não voltar, mas o cerne das mil perguntas que ecoam na minha mente é indubitavelmente: quem é essa garota?, de onde essa garota veio?, ela escreve umas linhas, e alguém disse, acho que se chamava Internet, não a garota mas quem me disse, que dá aulas num sítio qualquer, acho, não tenho a certeza, aprendi com o tempo, enquanto desaparecia, ela (a garota), não eu, que certezas só têm os palermas, as certezas estão sempre erradas, e mesmo que porventura hoje estejam certas que me adiantam?, qual é a piada sem aquela fracção na equação, sim, sim, a fracção denominada incógnita virtuosa, essa puta de incerteza que tal como sal dá aquele gostinho extra à refeição, a mim e só a mim não o saber alimenta-me a vontade de saber, um ciclo interminável em que somente procuro a minha cauda, a meu rabo branco, para nunca mais encontrar, porque pela esquina do olho vejo-o, mas depois viro, e záu, certeza de o ter visto, esvai-se, urro de frustrado, mas sorrio de: porra tenho algo para fazer, mas fujo ao ponto, como o Mefistófeles dos regadores automáticos de relvados com a incerteza que possa ser água benzida pelo falso santo padre, já agora caros incautos e incautas peço imensa desculpa que tenham sido apanhados no meio deste caos de predicados, agarrem-se às virgulas que não sei quando termina, no entanto se por acaso o sono vier, ou o suspirar de enfartamento perante tal sem sentido, sintam-se livres de se porem a mexer, pode ser?, e não deixem que a porta vos bata no rabo, fugi a sete pés ao cerne da questão, arre engrenagem que emperra, muda de direcção e acelera outra vez para bater numa porta de metal reforçado que me impede de sentir mais do que desapontamento quando digo: aquela garota desapareceu, quem era aquela garota, de onde veio aquela garota, quando partiu, e porque partiu, à porra de vida que quando um pouco de luz me faz sentir quase tão bem quando sol está alto, como me sinto quando a lua me recarrega o sexo, uivo, eu uivo tá?, de tesão feito uivo para as luas, como cão condenado a pisar merda em sarjeta de outras, porque quando me rio pela companhia anónima, fecho os olhos para passar pelas brasas e quando acordo o que vejo?, a garota desapareceu,

  sinto o teu odor puta de transcendência, tem tua mão não tem?, porque a levas-te?


*sem acordo
 JD

2 comentários:

Daniela disse...

não há que pedir desculpa. comentários assim são, e sempre serão, mais que bem vindos.
que texto fantástico, este. as palavras estão.. qualquer coisa. as palavras, à medida que vão sendo lidas, parece que pedem para o texto ser lido até ao fim. parabéns. gostei muito*

James Dillon disse...

Nada mais te posso oferecer em troca que um obrigado sentido,

(risos)

cumprimentos,
JD