sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Insustentável

  Quantas vezes não peguei na caneta para descarregar a raiva que sinto, a paixão fragmentada que invade este meu invólucro, centenas de milhar de sentimentos que nascem e crescem de embates no dia a dia com quem amo, com quem odeio, em verdade acredito que sem o ódio por alguém, não se pode amar, engraçado como desaguo no amor por quem odeio, agradeço a Eru Ilúvatar não ser o contrário, paixões afloram na minha pele como entidades independentes munidas de sentimentos tão forte que são impossíveis de controlar, chegam em ondas paridas de um epicentro vago e desconcentrado, meu corpo não aguenta, meu pedaço de carne rebenta pelas costuras com o que sinto, o coração dói, as mãos tremem, a cara branqueia, meus olhos vermelhos, preso em areias sentimentais, acorrentado com adamantium a traiçoeiros sentimentos, eles movem-me, assim como me quebram, eles alimentam-me, assim como eu me alimento deles, em demasia, em gula nociva, gula descontrolada,

  aqui e agora, aqui e agora este existir é apenas um passo, quantos faltam não sei, mas não existe nenhuma sombra de dúvida em mim quando digo: que o agora não passa de uma poeira na existência de um ser, do meu ser pelo menos,

  eu sou, eu existo, acima de tudo sou muito mais que este invólucro que nem paixões, raivas e ódios consegue suster sem verter líquidos segregados pelo amor, pelo ódio, pela saudade, pela paixão, pela raiva, pelo mero instinto de sentir.


*Sem acordo.

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