segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sem hora marcada

 Aquilo que me leva a pensar fora do chamado conceito normal,
  - da moralidade vigente?,
  - pode ser,
  é uma incógnita para mim, virtuosa mas uma incógnita em todos os ângulos, todavia é com espanto e com um sabor acre debaixo da língua que dou comigo a esculpir textos belos, fora do ordinário, estranhos, diferentes,
  - tanta modéstia Jasmim,
  - indubitavelmente,
  mas a hora nunca é propícia: num banho quente, algo me atinge com violência, sem pudor ou consideração, seco-me num corrupio, corro pela casa em busca do escritório deixando um rasto de aguaceiros e pequenos lagos, 
  - estás a molhar casa toda..., outra vez!, - achego-me ao papel com esperanças, mas do feto só sombras, assim como sequei a água do meu corpo, com ela a ideia, o contexto, o momento partiu. Fico só com os gritos agudos de uma patroa que bufa de tão furibunda, a evitar as  poças de água que brotaram de mim.
  Outras, ontem, em exemplo, deito-me para tentar dormir, e do nada um livro com capítulos e capa dura corre-me a mente, frase após frase, mas o sono provoca o cambalear do meu raciocínio, ou do meu juízo, o torpor da carne leva-me a crer convictamente que quando acordar ainda recordarei os mundos por onde agora deambulo, que tudo o que  jaz em mim, enterrado neste estado vegetativo será facilmente encontrado. Mentiras, enganos, truques, nada, quando acordo, nada.
  Esta coisa da inspiração é um ser mesquinho, isto para não começar com calúnias mais graves, mas hoje sinto-me imbuído pelo pudor, ou pela boa educação,,
  - prometo não correr nu pela casa novamente, - proclamei-o ontem, enquanto a patroa rasgava o lombo de vaca com uma faca de talhante, presumo, de soslaio, sem factos que o sustentem além do arrepiar da minha espinha que vi um olhar sanguinário, um olhar de Amazona.


*sem acordo

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